Trabalhar demais resulta em mais trabalho

Quando Scott Maxwell, o fundador da firma de capital de risco OpenView Venture Partners, estava trabalhando como consultor da McKinsey & Company no início da década de 1990, recebeu o que considerou ser um discurso de apoio bem estranho. Jon Katzenbach, então diretor da empresa e agora autor de diversos livros e chefe do Katzenbach Center na Booz Allen Hamilton, deu alguns conselhos a Scott dos quais ele jamais se esqueceu. Jon lhe disse que nos anos 1970, quando estava começando, todos trabalhavam sete dias por semana na McKinsey. Aquela era a cultura; aquilo era esperado de todos. Se você não trabalhasse tanto tempo assim, as pessoas achariam que você não estava fazendo a sua parte e que não estava contribuindo com a equipe.


Por questões religiosas, Jon trabalhava apenas seis dias por semana. E notou algo. Mesmo trabalhando menos horas, ele conseguia produzir mais do que os outros “caras” — e todos eram caras naquela época — que trabalhavam todos os dias. Então, decidiu tentar trabalhar apenas cinco dias por semana. E descobriu que conseguia produzir ainda mais. “Trabalhe mais”, disse ele, “e você produzirá menos”.
Scott e os outros jovens consultores zombaram da ideia na época. Trabalhar menos horas? Isso não é folga demais? Mas Scott continuou com essa ideia por muitos anos enquanto seguia com a sua carreira, e, como CEO e fundador da OpenView Venture Partners, começou a investir em empresas de tecnologia, algumas das quais praticavam o Scrum. Ele ouviu dizer que eu tinha inventado o Scrum e morava na mesma cidade, então convidou-me para tomar um café da manhã com ele. No meio do café e croissants, Scott me contou a história de uma das empresas na qual investira e as equipes de desenvolvimento usavam o Scrum, e de como elas tinham melhorado a produtividade de 25% para 35%. Ele realmente estava impressionado. A minha resposta imediata foi: “25% para 35%? Eles devem estar fazendo alguma coisa errada!!!”.

scrum-banner-2015-edersonmelo

Scott decidiu levar o Scrum para a OpenView e implementá-lo em toda a empresa. Os caras de investimento, o pessoal de pesquisa, a alta gerência, os funcionários administrativos, todos entraram para uma equipe Scrum. E, por fim, algo aconteceu, algo que é uma das grandes vantagens do Scrum: a OpenView descobriu como as pessoas realmente trabalhavam em vez de como elas diziam trabalhar.

Na época, a OpenView era bem parecida com vários escritórios de alto nível. Arraigada na cultura corporativa estava a expectativa que as pessoas trabalhariam até mais tarde ou nos fins de semana. Eram pessoas agressivas e ambiciosas. Mas elas estavam ficando cansadas, deprimidas e desmoralizadas. Era um ambiente tão duro que algumas pessoas não conseguiam ficar ali e pediam demissão.

Muitos conhecemos empresas ou até já trabalharam em empresas com essa cultura. Mas fica mais um conhecimento retirado do excelente livro de Scrum que estou finalizando a leitura.

Pai do Pedro, Marido e Workaholic com vida social. Mais em https://www.edersonmelo.com/quem-sou/

Deixe uma resposta

Site Footer

Sliding Sidebar

About Me

About Me

MBA, SAP, Microsoft, Salesforce, WordPress, Liderança, Gestão 3.0, Gestão de Pessoas, Carreiras, Coaching, Agile Coach, Inovação, Transformação Digital, Futuro dos Negócios, Influência Digital Conteúdo e Estratégia, AI, Data Science, Big Data e Futurismo